quarta-feira, 21 de setembro de 2011

BALADA PARA UM SACO DE BATATA

para Bira Gordo e Jô Soares

Só a lipoaspiração bem-sucedida,
o silicone e o photoshop, mais nada (...)
Marco Catalão


ABDOMINOSCOPIA
Tranquila sopra a brisa
e em mil tragos contínuos,
com a ânsia de um menino,
o meu peito se atira
cego, nem desconfia
que entre boca e intestino
há o tal metabolismo
(abdominoscopia)
a pulsar lentamente.
Oh cágado insolente,
eu já não passo em porta,
tenho um bolo na aorta,
sou um ser que comporta
toicinho até nos dentes.

                                             De Caribó Literato,
                                             corno, poeta e viado         

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

XOXÓ ACOMPANHA ÉRICO NOGUEIRA E JOÃO ANGELO OLIVA NETO À FESTA DE LANÇAMENTO DA EDIÇÃO DE BOLSO DA ILÍADA E DA ODISSÉIA NA FENOMENAL TRADUÇÃO DE CARLOS ALBERTO NUNES E SAI DE LÁ INDIGNADO COM A BURRICE DOS PREPARADORES DE ORIGINAIS


ERRATA
Em lugar de Ulisses,
Leia-se Odisseu.
Preservem o dactílico
Pelo amor de Deus!

                                 
                                   De Caribó Literato,
                                   corno, poeta e viado

(Os livros Ilíada e Odisséia foram recentemente publicados em edições de bolso pela Editora Saraiva)   

domingo, 18 de setembro de 2011

AO MESMO TEMPO BROXA E PUNHETEIRO?

Abrem, ébrios, seus livros que se acabam
Nas estantes do mundo (...)
A. Bueno

MOTE
Ao mesmo tempo broxa e punheteiro?

GLOSA
Ao mesmo tempo broxa e punheteiro,
o braço lasso de lutar contra a barriga,
costa arqueada como o arco de uma lira,
mergulha a mão no ninho de pentelho.

E aí então, meu Deus, começa a briga:
chacoalha a glande adormecida lá no meio,
aperta os ovos com bravura e, sem receio,
se lasca numa espiga bem comprida.

Assim tem sido há anos seu enleio,
sua aventura de compor uma cantiga
que seja ao mundo mais que a lágrima caída
por ter nascido feio e sem dinheiro.

Ruy Espinheira, vate da desdita,
vem sempre algo pior, escuta este conselho:
compre tesoura nova e apare bem seus pelos
pra não perder a mão em meio à pica.

                                                                  
                                                                   De Caribó Literato,
                                                                   corno, poeta e viado

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

AQUARELA DE CARIBÓ

Cegas à contraluz, as formas correm 
de encontro ao olho da visão
Bruno Tolentino

para Caius Marcellus 

PUROVISIBILISMO
O sol que estende o trigo no horizonte
é ovo esparramado na panela,
é mancha de mostarda na lapela,
é manga descascada e não se come;
mas breve o quanto é breve o que responde
a todos que lhe chamam para a festa,
desaparece o trigo, o ovo cresta
quando por um momento o sol se esconde.
E o verbo em seu favor tornou-se nome,
aguada com que Deus pintou a treva,
perícia de Antonello e borradela
das caras de Warhol morto de fome,
                              morto de medo de sair da sombra...
                              não vê o quanto enfim a luz se alonga.


                                                              De Caribó Literato, 
                                                              corno, poeta e viado

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

XOXÓ DRIBLA A IMPRENSA E APRESENTA COM EXCLUSIVIDADE TRECHO DO DISCURSO QUE DÁ A TÔNICA DO QUE SERÁ O SEGUNDO TURNO DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2014

A política é a arte do possível

[candidato 1]
No meu governo,

eu vou trancar o cu de todo mundo
e o do excelentíssimo Jean
será tombado como o moribundo
furico que engoliu o maracanã.  


[candidato 2]
Eu vou erguer

um parque industrial movido a gala
onde o excelentíssimo Jair
terá mil picas para punhetá-las
pra ver se para de me perseguir.


                                                              De Caribó Literato,
                                                              corno, poeta e viado       

domingo, 4 de setembro de 2011

DICIONÁRIO XOXÓ DE LITERATURA


FURICAGEM fem. subst.
1Estilo literário que consiste
no toma-lá-dá-cá em verso e prosa.
2Canção de amor desesperada e triste,
petit bouquet de esmaecidas rosas.

ex.Barbosa diz que é louco por Mayrant,
Mayrant que faz loucura por Barbosa.
Fonseca chama a todos de galã
e chupa quem gabar a sua glosa.   

                                                               De Caribó Literato,
                                                               corno, poeta e viado



sábado, 3 de setembro de 2011

XOXÓ VISITA BAILE DA TERCEIRA IDADE E FLAGRA OLHARES CONDESCENDENTES ENTRE FLORISVALDO MATOS E SILVÉRIO DUQUE

Não envelheças (...), por mais que os anos te convidem a deixar a primavera; quando muito, aceita o estio.  
 Machado de Assis
                                        
                                      para Ruy Espinheira Filho e Aleilton Fonseca  

CALÇA DE TERGAL

Seu Florisvaldo resolveu ir à balada,
viver também é se entregar à putaria,
varar a noite e ver o sol cagar o dia,
comemorar senilidade avançada.

Ajuntou tralha ignota e amarelada
para compor a sua grata fantasia,
uma mortalha secular que sentencia   
a cafonice como o ocaso na alvorada.

Rodopiando feito um disco na vitrola,
seu boogie woogie entediante contagia
a juventude rapapé, calva e venal.

Flori feliz retira um lenço bem da moda
e enxuga a testa num sorriso de alegria -
Silvério amou sua nova calça de tergal.


                                                                De Caribó Literato,
                                                                corno, poeta e viado.  

(Florisvaldo Matos é autor de Poesia reunida e inéditos, livro publicado pela editora Escrituras)